Estudo avalia relação entre testagem e indicadores de saúde em 50 países

Para explicar como a testagem da população influencia os indicadores de saúde utilizados para monitorar a pandemia de Covid-19, pesquisadores desenvolveram um estudo utilizando dados de testes feitos nos 50 países com maior número de casos diagnosticados.  O artigo intitulado “O efeito da testagem laboratorial nos indicadores de acompanhamento da COVID-19: uma análise dos 50 países com maior número de casos” foi desenvolvido por pesquisadores da Rede CoVida vinculados ao Departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade Federal de Minas Gerais, ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz-BA) e ao Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-Ufba).

Os testes podem identificar a presença do vírus em atividade (no caso do RT-PCR, que detecta infecções ativas) ou anticorpos específicos em amostras de sangue, cuja presença é indicativa de infecção prévia (no caso de testes sorológicos). Os pesquisadores avaliaram a taxa de testagem, a incidência acumulada, a taxa de mortalidade, taxa de letalidade e proporção de testes positivos. Os dados foram extraídos em agosto de 2020 do site Worldometers.

O estudo aponta que a grande maioria dos países não testa uma parcela suficiente da população “para garantir a qualidade dos indicadores de saúde relativos à Covid-19 que permitam planejar o retorno à normalidade de forma segura”. Eles alertam que isso pode acarretar em uma “subestimação do número de infectados por SARS-CoV-2 e de óbitos por Covid-19”. De acordo com recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), um país pode iniciar a flexibilização da quarentena e do distanciamento social se a proporção de testes positivos for, no máximo, de 5%, pelo período mínimo de 14 dias. 

Essa proporção parece difícil de ser alcançada pelos países latino-americanos. Todos apresentaram pelo menos 20% de testes positivos. O Brasil e o México, por exemplo, apresentaram, respectivamente, 24,5% e 43,9% de positivos. Os autores citam os dois países por enfrentarem problemas semelhantes, como a testagem fundamentalmente baseada nos casos graves e a negação dos governos federais em reconhecer a pandemia enquanto problema de saúde pública.  Ambos têm adotado gradualmente o afrouxamento das medidas restritivas de modo inadequado ao que é apresentado nos dados epidemiológicos e pelas recomendações da OMS.

Os pesquisadores alertam que não apenas a ampliação do número de testes é importante: essa medida deve ser acompanhada do isolamento de casos diagnosticados e rastreamento de contatos, dentre outras. “Somente a partir de dados confiáveis, políticas de reabertura econômica serão planejadas de maneira responsável e segura para a sociedade, diminuindo a chance de novas ondas de transmissão do vírus e disseminação da doença”, afirmam no trabalho.

FONTE: PILECCO, Flávia Bulegon et al . O efeito da testagem laboratorial nos indicadores de acompanhamento da COVID-19: uma análise dos 50 países com maior número de casos. Epidemiol. Serv. Saúde,  Brasília ,  v. 30, n. 2,  e2020722,  jun.  2021 .   Disponível em <http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742021000200017&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  15  jul.  2021.  Epub 30-Abr-2021.  http://dx.doi.org/10.1590/s1679-49742021000200002.

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