Covid-19 na Bahia: o momento ainda exige cautelas!

Rede CoVida

De acordo com o Boletim Epidemiológico Covid-19 nº 475 da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, publicado em 12 de julho de 2021, a Bahia registrou, na média móvel dos últimos sete dias, 2.994 casos novos diários de Covid-19, mantendo um platô elevado da transmissão da infecção. Em Salvador, a média móvel dos últimos sete dias foi 432 casos novos, representando uma redução de cerca de 60% nos registros em relação à semana anterior, porém mantendo-se ainda a pandemia em patamar elevado. Nesse dia 12 de julho, as taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos estavam em 62% para os baianos, em geral, e em 52% para os soteropolitanos. Além do número de casos se manter em patamares elevados, a variante Delta, que aumenta a transmissibilidade em até 60%, já circula no Brasil. Países como Israel, Reino Unido e Estados Unidos, que alcançaram coberturas vacinais muito mais elevadas do que o Brasil, estão assistindo a aumentos expressivos dos números de casos novos e de hospitalizações por Covid-19. Ademais, uma nova variante, a Lambda, primeiramente identificada no Peru, já se encontra em 29 países, causando mais apreensão.  

Mesmo com tais números e mediante os riscos iminentes da circulação de novas variantes do vírus, o governador do estado e o prefeito da capital anunciaram a flexibilização das medidas de prevenção da transmissão, baseadas na proibição de aglomerações e em mais algumas estratégias de distanciamento social. Desde sexta-feira, 09 de julho, Salvador entrou na “fase verde”, na qual até clubes sociais e centros de eventos têm o funcionamento permitido. A prefeitura anunciou ainda a realização de um “evento-teste” que reuniria 500 pessoas vacinadas pelo menos com a 1ª dose e com resultados negativos nos testes diagnósticos de antígenos.

Neste contexto, a Rede CoVida, sente-se na obrigação de alertar as autoridades políticas e sanitárias e o público em geral para os riscos inerentes à flexibilização das restrições à circulação e à aglomeração de pessoas. A vacinação é a medida essencial para o enfrentamento da pandemia, porém diante da morosidade na sua aplicação e o relaxamento nas medidas protetivas favorecendo o surgimento de novas variantes, fica claro que estar vacinado com uma ou duas doses não é suficiente para controlar a epidemia.  É necessária a manutenção de medidas de proteção individual (uso de máscara e higienização das mãos) e coletiva (evitar aglomerações).

As decisões para flexibilização de medidas restritivas deveriam se basear em um conjunto de critérios já recomendados pela OMS: as médias móveis da incidência e mortalidade nos 14 dias anteriores, o número reprodutivo efetivo (R), a proporção de vacinados com o esquema completo e a taxa de ocupação de leitos. Ressalte-se que as taxas de ocupação de leitos de UTI, ainda que um indicador útil para o monitoramento da epidemia, não deve ser o único ou o principal critério para tomar decisões sobre a manutenção ou não das medidas de restrição à movimentação de pessoas. Infelizmente, seja na Bahia e em Salvador, seja no Brasil, todos esses indicadores ainda estão em níveis preocupantes. 

Com base nessas evidências, a Rede CoVida avalia que não é ainda o momento de relaxar as restrições existentes, nem de se realizar o “evento-teste”. Essas medidas podem passar para a sociedade a mensagem errada de que os riscos deixaram de ser importantes. 

É preciso reduzir a transmissão da doença, além de alcançar altos níveis de cobertura vacinal para poder flexibilizar as medidas de restrição à circulação de pessoas. É fundamental, neste momento, fortalecer as ações de vigilância epidemiológica e atenção básica à saúde. Assim, a Rede CoVida recomenda:

  1. Intensificar a Identificação de casos na sua fase inicial, com testagem de indivíduos sintomáticos, utilizando-se de preferência de testes rápidos de antígeno;
  2. Realizar a vigilância de sinais e sintomas de síndrome gripal e utilização de testes rápidos de antígeno, em todos os locais de trabalho e nas escolas.
  3. Realizar o isolamento de casos, busca ativa e teste de contatos com adoção das medidas de controle (isolamento e quarentena), sob a coordenação dos serviços de atenção básica.
  4. Apoio social aos infectados com dificuldades de fazer isolamento e/ou quarentena. 
  5. Realizar ações de educação e comunicação em saúde voltadas à ampliação do uso sistemático das medidas de controle não farmacológicas.

O momento é de cautela e de adoção dos maiores esforços para reduzir a força de transmissão do vírus da Covid-19 e para consolidar os efeitos da ampliação da cobertura vacinal 

 

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